Memórias das oliveiras

abril 23, 2010

Um par flamejante de olhos procurando por um novo começo

que não volta nunca mais no tempo

tudo deve caminhar adiante, com o peito aberto por uma bala

fumegante

O corpo entrelaçado na bagunça dos lençóis amarrotados e cheirosos

dorme submerso em sonhos brancos

A temperatura é branda como a de brasas sob o manto terrestre

e nossos fantasmas flutuam calmos sob a superfície da água amniótica

No silêncio reconfortante da manhã paredes traspiram o cheiro humano das expectativas

aqui, teu corpo morno é uma vertigem viciante de hálito profundo

No fundo da garganta

o grito que se liberta de suas amarras vocálicas e atravessa dos teus lábios para os meus

assustadoramente cálido

tintas se misturam na superfície de uma tela gelatinosa,

mãos úmidas tocam meu rosto, fecham os meus olhos, molham meus cabelos

com sua febre intermitente

Delicadas pontas de dedos tateiam a escuridão alheia

em busca de si mesmo.

4 Respostas a “Memórias das oliveiras”

  1. gabrielpalmaguitar Diz:

    Alessandra, eu adorei esse poema!!! Ele está tão fluído. O melhor que eu já li seu até agora!!!

  2. Jonnes Diz:

    Alê é um belo poema. Mas achei com ar antigo. Não é nostálgico, é antigo como escrito em outra época! Fiquei me perguntando quando foi escrito?

  3. Ana Paula Diz:

    Show de bola! Fluído é a palavra que o define mesmo. Talvez com uma quebra interessante na sintaxe, quando as frases são irregulares ao passo que o conteúdo é uniforme. Sweet! Beijos.


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