Memórias das oliveiras
abril 23, 2010
Um par flamejante de olhos procurando por um novo começo
que não volta nunca mais no tempo
tudo deve caminhar adiante, com o peito aberto por uma bala
fumegante
O corpo entrelaçado na bagunça dos lençóis amarrotados e cheirosos
dorme submerso em sonhos brancos
A temperatura é branda como a de brasas sob o manto terrestre
e nossos fantasmas flutuam calmos sob a superfície da água amniótica
No silêncio reconfortante da manhã paredes traspiram o cheiro humano das expectativas
aqui, teu corpo morno é uma vertigem viciante de hálito profundo
No fundo da garganta
o grito que se liberta de suas amarras vocálicas e atravessa dos teus lábios para os meus
assustadoramente cálido
tintas se misturam na superfície de uma tela gelatinosa,
mãos úmidas tocam meu rosto, fecham os meus olhos, molham meus cabelos
com sua febre intermitente
Delicadas pontas de dedos tateiam a escuridão alheia
em busca de si mesmo.

abril 23, 2010 às 15;23
Alessandra, eu adorei esse poema!!! Ele está tão fluído. O melhor que eu já li seu até agora!!!
abril 23, 2010 às 15;23
Alê é um belo poema. Mas achei com ar antigo. Não é nostálgico, é antigo como escrito em outra época! Fiquei me perguntando quando foi escrito?
abril 23, 2010 às 15;23
Foi escrito ontem à noite revisto hoje à tarde.
Engraçado, não?
abril 23, 2010 às 15;23
Show de bola! Fluído é a palavra que o define mesmo. Talvez com uma quebra interessante na sintaxe, quando as frases são irregulares ao passo que o conteúdo é uniforme. Sweet! Beijos.