Chico Buarque

janeiro 27, 2009

    

Francisco Buarque de Hollanda, é um dos mais aclamados compositores da música popular brasileira, tendo como características marcante de suas obras o cotidiano do povo brasileiro, com teor de crítica política afiada juntamente com sua poesia.

Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de1944, filho do importante sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim, Chico Buarque apresentou interesse desde cedo pela música.

     Compôs suas primeiras marchinhas de carnaval em 1953, quando a sua família havia se mudado para a Itália. A casa em Roma era frequentada  por personalidades artísticas que influenciaram-no musicalmente, como por exemplo, o compositor e poeta Vinícius de Moraes, grande nome da poesia  e um dos percursores do movimento musical da Bossa Nova no Brasil, que se tornaria mais tarde seu parceiro e amigo.

     Com a Família de volta ao Brasil, Chico se apaixona pelo futebol e pelos belos sambas de Noel Rosa, Ismael Silva e Atulfo Aves entre outros. Seu sonho era de “ cantar como João Gilberto, fazer músicacomo Tom Jobim e letra como Vinícius de Moraes”.

     Em 1965 Chico Buarque lança seu primeiro disco com as músicas escritas para o festival da TV Excelsior, Pedro Pedreiro e Sonho de Carnaval, porém, o primeiro lugar vai para Arrastão, de Edu lobo e Vinícius de Moraes, interpretada por Elis Regina.

Chico conhece então os grandes nomes da música brasileira: Caetano Veloso, Gilberto Gil e Taiguara.

     Sua composição de sucesso  imediato foi A Banda , música que ficou em Primeiro lugar no II Festival de música Brasileira, promovido pela Record.

Também em 1966, Chico começa a ter seus primeiros problemas com a censura, com a música Tamandaré. Realizou importantes obras direcionadas ao público infantil, compondo as músicas para a peça O patinho feio, e conheceu aquela que viria a ser sua esposa, a atriz Marieta Severo.

     Reconhecido por músicas como Para ver a banda passar,pois é e Retrato em Preto e Branco, e pela peça Roda Viva, Chico torna-se um dos mais aclamados compositores do Brasil.

     Engajado politicamente,em 1968, participa da “Passeata do cem mil”, no Rio de Janeiro, em protesto contra a ditadura militar, juntamente com outros artistas, estudantes e intelectuais da época.

     Como autor teatral impressionou por ganhar o prêmio Mollière pelo seu trabalho em Gota d’água.

     Em 1973 escreve a peça Calabar, juntamente com Rui Guerra, ao mesmo tempo em que tem uma de suas músicas proibida, a canção  intilulada Cálice, obra que reflete toda a astúcia de Chico em colocar entre metáforas poéticas seus protestos políticos e suas críticas sociais, chegou até mesmo a adotar um  heterônimo Julinho de Adelaide para driblar a censura.

     Chico também escreveu romances com Estorvo, que ganhou o prêmio “Jabuti de Literatura”, e os seus direitos de publicação foram rapidamente vendidos para sete países, dentre os quais França, Inglaterra, EUA e Portugal. Seu último álbum As cidades contendo quatro regravações e sete canções inéditas parece ser mais introspectivo , não contendo tanto elementos de crítica política em suas letras.

Capital

janeiro 27, 2009

A lucidez vestida na pele mansa e fresca da manhã

Manhãs desmaiadas e cativas oferecem o quinhão de alegria

Que vai calar os cães hidrofóbicos das ruas sujas da capital

dá-lhes o que mascar, os ternos velhos, os sapatos rotos

daqueles que ficaram para trás na história desse mundo

perdidos nas ruas congestionadas, cegos de pânico e de néons

Manhã mentirosa, os lábio estão frios, tua taça irmão, está vazia,  e teu pão acabado

Falso bucolismo, jardins estéreis onde dormitam os  desempregados

neste campo de guerra colidem mentes vazias, esquizofrenia

fome, caos e tirania, o cheiro de gordura velha  do Setor Comercial Sul

Os vapores do Crack envelhecem corpo mal adolescido.

Salvem os viveiros do acalanto doméstico, deliguem a tv

que os políticos virão ruminar sua dialética histérica, estúpida

cá em vossos ouvidos, mas não fujam á realidade do senso crítico

Deixa a razão abrir as asas sobre nós

Sobre as baias da repartição, sobre testa do conformismo

Sobre a ignorância isenta de perdão.

 

GAZA

janeiro 20, 2009

GAZA

 

 

Um dia, contra todas as leis da física

Vai que este céu desaba e quebra toda sua opala leitosa!

Farto de ser alvo de tantos olhares desesperados, de projéteis mortíferos

que, reluzentes de fogo cortam sua calma com um rastro de pólvora e fumaça,

vai que a carcaça azul de sonhos suspendida

se farta do peso onírico e dos fantasmas da morte, e como uma pele morta se descola!

Ah, a Senhora Bovary como que perdida em tamanha miragem

cozeria o estranho tecido celeste, cingindo-o à sua cintura como uma corda!

O céu adoecerá antes que o mundo morra

e o espelho azul, oxidado, inclinará sobre vossos rostos

a verdade explícita em sua superfície acidentada:

O lar de vossos deuses está acabado, assim como a matriz dos sonhos de seus filhos,

caindo sobre o solo as andorinhas mortas.

 

Alessandra M. P. Oliveira

Eu não sei o que escrever

janeiro 20, 2009

Ah, dou de cara, novamente, com o velho bloqueio. Um grande muro em erosão feito de símbolos, palavras e sentimentos de memória curta e desencaixada.
Nada me deixa mais perdida nesse mundo. Não consigo escrever. Escreverei sobre não conseguir escrever, portanto.
Os dias estão calmamente iguais, o temperamento controlado (malditos remédios, malditas férias) , acho que essas coisas não colaboram para desencadear de um diálogo íntimo.
As cortinas estão frouxas e empoeiradas, os atores ainda estão de ressaca do ano novo, desequilibrados, maltrapilhos, lindos, mumificados. Acho que o teatro é que está precisando de reformas. Não conseguirei nada sem situar as palavras em um ambiente, criar um cenário para acomodá-las, um berço para criar os monstros das relatividades.
Não, não vou pegar no livro que estava lendo, vai que eu acabo escrevendo no jeito do cara. Melhor eu cá, ele lá, cada um com a sua capa.
Dedos gelados…Um pouco de Brandy, talvez para ruborizar minha cara de merda. Nada… Perdi meu traço, que perfil eu faço? Cadê meu cigarro?
Não tenho personagens, nem posso brincar grotescamente de possuir múltiplas personalidades, Pessoa era bom nisso, não de forma grotesca, é claro…
Ah, que pobreza de criatividade, como a dos filmes pornográficos!
Vou acabar contaminando quem lê, que Deus os guarde, que dele já me esqueci.
Para onde é que íamos mesmo?

A padronização da beleza e a criação de estereótipos estéticos cada vez mais inalcançáveis e impositivos, tem  minado a auto-estima feminina, sua expressão sexual e também seu bom senso.

A beleza não é mais vista de forma natural, é padronizada como um produdo comercial qualquer.  Mas o corpo é muito mais que isso, ele transmite mensagens, abriga a personalidade, é preenchido com a consciência, com os valores, com a cultura e a diversidade individual.

O sexo está totalmente banalizado e os preconceitos continuam pungentes.

Transformaram o mundo num açougue, a o corpo feminino é visto é visto por pedaços. A carne é mutilada nas mesas de cirurgia plástica, promete-se aumentar a auto-confiança do paciente limitando suas expressões faciais,  transformando seu rosto numa máscara comum construída pelas mãos de um artista que produz em escala industrial.  Toda essa artificialidade acaba com o intercâmbio sensório natural do corpo e da mente com o mundo.

Mulheres, o belíssimo macarrão italiano não é vosso inimigo! E os efeitos do tempo são um evento natural da realidade.

Será que só pela beleza podemos nos inserir socialmente, e nos sentirmos amados? Isso é trágico, triste e ridículo. Esqueçam a utopia das propagandas, tais imagens de perfeição são a imagem destruição e não da evolução social.

Quem você pensa que é para ser aquilo que esperam que você seja?

A verdadeira beleza não é descartável, não é perecível, portanto, ao contrário do que se pensa, ela não fenece com o tempo, mas é construída por meio dele.

O propósito de uma busca saudável pela beleza é sentir-se bem consigo, a vaidade é algo natural inerente à personalidade humana.

Chegamos ao ponto de ver de forma negativa e preconceituosa um fato imutável da realidade, a velhice. Se envelhece e ponto, não se muda isso, é certo como a morte. Agora só falta  considerarem ser feio morrer.

Espero que as pessoas passem a respeitar mais a dialética entre seu interior e seu exterior, quem sabe assim possamos ser mais felizes e menos superficiais?