Agosto

agosto 17, 2010

Preparai-vos irmãos queridos:
Matei as sentinelas, destronquei suas colunas imponentes
espalhei o veneno de minha loucura, pintei a jorros as paredes de vermelho
embaixo das unhas escuros resquícios da carne destroçada
denunciam a mão assassina
Hematomas borrados apagam a estampa brilhante das estrelas
são os sonhos traídos por mim ao crer naquilo que me encantava os olhos
sonhos que coagulam mortos no firmamento em desesperança.
Minha pele, minhas carcaças
meu curtume e meu coração rangendo ao fio da faca
todo dia, toda noite, toda vida
sob o frio fito dos abutres, esperando a hora de minha morte.
Quando enfim sucumbirei? Quando virá minha redenção?
Alma purgada na poça rasa, nada mais remete e não reflete nada
espelhos baços estes olhos doentes, cegos, vazados
assustam até a mais grosseira matilha e desorientam o canto dos pássaros.
Eu comecei a morrer quando ainda aprendia a escrever minhas primeiras frases.