O Pastor

maio 12, 2010

Eu sou um remédio amargo para seu paladar infantil e esteta
Eu sou um pai ausente e viciado que não bate na porta do seu quarto
antes de entrar
Sou um pastor de nuvens negras baças num céu de um domingo claro,
o choque de um atropelamento, o pânico de um alarme de incêndio.
Sou o incendiário cheirando a gasolina, o motivo tenso de um riso nervoso.
Eu sou suas odiadas muletas que entortam sua anatomia frágil, anti-anatômicas
o pudor em público, a frustração do seu sexo tenso, o cobrador na porta da frente?
Então é isso que sou para seus olhos doentes?
Os meus sentimentos mais profundos não mais se mostrarão
tudo ficará submerso dentro de uma parte esquecida de mim.
Grite, e eu não lhe escutarei.
Tudo vai perdendo o gosto na superfície áspera da língua cega
agora, só memória de vapores de cheiros etéreos no caminho.
Não há perdão, as linhas se entrecruzaram na escuridão particular
eu sigo em frente… Adiante, só o fim de tudo.
Anúncios

G. não acordou em vão

abril 29, 2010

(Stanton MacDonald)

A porta se fecha sozinha.
Começa, de novo, pausa. Continua: lá vamos nós…
…Limpe os olhos (primeiro), eles estão cobertos de betume viscoso assim como mergulhões que se engasgam de escuridão, debatendo-se em vão no petróleo derramado.
Espera, o segundo já vem.
Os filhos do céu e do mar cobertos de óleo.
Eu sou um  filho póstumo do estrago, de uma lentidão pesada. Meu cobertor está repleto de carrapados, alfinetes e sujeira.
A minha casa foi roubada, a minha honra foi violentada pelo melhor amigo.
Irmão.
” – Eu não tenho nada meu.”
Meu amor foi embalsamado numa espera sem fim: assim eu redigi minha carta suicida ao pai da criação.
(continua sem enredo)
Confio nos teus olhos, mas não nos teus gestos: tuas mãos estão distantes dos teus olhos.
Espero algum som luxurioso que me desperte a atenção,que desperte a hibernação desse corpo frio. Tudo está cinza chumbo, roxo, vermelho escuro venoso.
Poço de piche podre. Passo as mãos em meus cabelos negros… Pensando… Tentaram sufocar-me enquanto eu dormia e, por isso,  eu não me lembro mais o que havia sonhado. Mas o despertar não me pareceu ser em vão.
Parágrafos
empilhados
sobre
parágrafos!
Bem vindo inferno astral! Bem vinda, destruição! Bem vindo vizinho criminoso! Bem vinda, loucura! bem vinda, doença silenciosa! Bem vinda, amante enferma!
Bem vindos à minha cama desfeita que exala o cheiro de remédio do meu suor.

G. não acordou em vão.